quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Uma vida amarrada, um sentimento preso e um gosto que continua a me atormentar. Tudo é amargo, já provei muitos doces, salgados, massas, frutas, carnes.. Todas são amargas em minha boca. Minhas palavras sempre são duras e diretas, como um espeto que atravessa sua mão. Minhas mãos são frias, não consigo nem ao menos te tocar pois eu sei que você erá correr.
Todo esse peso em minhas costas me faz gritar, gritar calado. Eu sinto como se fosse uma ferroada dentro do meu peito, a dor nunca passa, por mais que ela diminua ela ainda está aqui. Fico sem ar, fico tonto, fico grosso, fico animal, fico louco, fico bravo, fico nervoso, fico furioso!
Mesmo sabendo do que vai passar eu sinto que esse tormento dura uma eternidade. Lágrimas de aligria saem dos meus olhos quando finalmente consigo me levantar e ir até uma janela. Eu me sinto como um senhor de 95 anos olhando para fora e lembrando de sua juventude. Infelizmente o máximo que posso fazer é olhar para fora, tentar lembrar o que almocei ontem e não lembrar daquela sala negra, sala 101. Um ciagarro e dois goles de um conhaque vagabundo. Mais uma noite se passa e minha vida continua no mesmo lugar. Quem sabe um dia eu possa encontrar alguma resposta, alguém que saiba mais do que eu.
Já encontrei muitos loucos andando pelas noites, alguns até mesmo acreditam que eu fui abduzido ou que eu sou um deus. Vou continuar sangrando até o dia de minha morte, não existe outra opção.

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