sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Não diga nada.

Muitos olhos podem todas as cores, as mais vivas cores. Poucos realmente às vêem como são.
Cada vida é vivida, devemos viver essa vida. Cada hora de uma vida é vivida, devemos lembrar de cada hora. Cada minuto de uma vida é vivida, devemos sentir cada minuto. Cada segundo de uma vida é vivida, devemos degustar cada segundo.
Quando te estendo a mão, pode ser que não seje para ajudar diretamente. Mas o que você chama de confusão é apenas algo simples. Estrelas não existem mais e estamos vendo seu brilho. Porém algumas ainda existem e é neste porém, nesta dúvida e principalmente na tal confusão que baseio todas as minhas teorias.
Teorias que por ter este fundamento acabam sendo tão inconsistentes e verídicas. Reais e até mesmo mudam conforme pensamos nelas. Uma organização de idéias, métodos, práticas, palavras, intenções... em mutação.
Por tráz de cada ato muitas coisas estão por tráz, não sei dizer o que você pensa. Você não pode dizer o que penso. Mas ainda sim sabemos. Agora só basta saber como falar. Eis o problema. Apenas mais um problema em um devaneio com milhares de dilemas diários e poucas horas de sono.
Te mostro um caminho, descrevo cada detalhe e não conto nenhum atalho. Por mais que o caminho mais curto seja ir direto por uma linha reta, o mais saboroso pode ser pelos caminhos mais sinuosos.
Da próxima vez que te estender a mão, não diga nada.

Noite de inverno

As luzes da cidade ainda são as mesmas, os andarilhos os mesmos e até mesmos as árvores estão no mesmo lugar. Por mais que eu tente despedaçar aquela vidraça, algo ainda me segura. Tenho certeza que tenho alguma coisa, talvez uma variação de conciência.
Respiro, ainda estou vivo. Trago, estou morrendo.
Corro pelas caçadas, o ar está mais seco que o de custume. Maldito inverno, já se foi o outono, as folhas cairam e as estrelas se iluminam muito mais. Corro como para salvar minha vida, a respiração descompassa. As pernas latejam. Não por falta de querer, mas não posso mais. Meu corpo tem mais controle que eu. Caio à sarjeta outra vez.
Vejo, ainda estou vivo. Fecho os olhos, estou morrendo.
Subo todas as escadarias possíveis, não é o bastante. Arrombo a porta, apenas maquinas. Vou ao terraço, a melhor vista que se pode ter. O ar está tão frio, tão leve que chega a cortar. Caminho até a beirada e olho para baixo, me viro de costas. Esse ar me fere de forma desumana, fecho os olhos e abro os braços.
Me deito, ainda estou vivo. Deitado, esou morto.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Rubra

Em sua mão uma adaga, luvas de cetim, vestido carmim e maquiagem borrada. Seus passos custam cada vez mais força de vontade. Os pés descalços bailam devagar em movimentos desrítmicos e desencontrados, numa só visão. Olhos que já sabem o que irá ver, nariz que já sentiu o perfume daquelas flores, mãos que já estão preparadas para apunhalar.
Seu vestido desliza pela madeira nobre, seus passos não deixam as marcas de seus pés, seus cabelos são levados pelo leve vento que tenta impedir outra morte. Pelas mais negras sombras seu caminhar não se distingue da escuridão, as luzes se recusam a iluminar esta assassina.
Até mesmo as luminárias apagadas tem arrepios quando ela passa, todos sabem que ela só quer fazer uma coisa, logo ela irá embora e deixará outro amor para traz.
Seu olhar é tão sereno, uma serenidade similar a do anjo caído. Dentro de seus olhos não existe desespero, angústia ou dor. Apenas amor. Seus lábios vermelhos não é batom, eles sussurram palavras esquecidas, frases proibidas e nomes verdadeiros.
Não existe como fugir. Por mais que se fuja, por mais que se viaje, ela irá encontrar e terminar o que começou. Sua sede é de sangue, seu maior prazer é cortar e a vitima perfeita já foi escolhida.