quinta-feira, 31 de maio de 2007

Azuis da noite

Outra noite de inverno e já estou quase no lugar combinado. Não entendo porque venho toda vez que ela me liga, eu deveria estar mais preocupado com minha vida.
Ela é pontual, daqui três minutos ela vai aparecer dobrar a esquina, eu já começo a transpirar. Um suor frio desce pelo meu rosto, devo ir embora? O que é um mau pressentimento? Vou ficar e saber o que vai acontecer, independente do preço.
Logo ela aparece, botas com salto, calça escura, sobretudo e uma blusa preta. A única coisa que consigo ver bem é seu rosto, principalmente seus olhos. Sim, seus olhos azuis, olhos angelicais.
Palavras baixas, sotaque francês e mais uma vez estamos indo pra casa.
Eu não consigo dizer nenhum não, somente ouço suas palavras suaves, vejo seus olhos e sinto seu corpo.
Exausto outra vez, contente estar com ela. Mesmo que ela me tenha. Onde estão meus sonhos? Meus desejos? Minhas ambições? A resposta é ela.
Ela está outra vez em minha cama, em meus braços, mas ela vai embora. Antes do amanhecer ela vai sumir, vou acordar tarde sem saber se foi verdade ou um sonho. Quero uma noite sem fim, escuridão total, um eclipse que dure para sempre ou..
Estou chorando outra vez, confuso com razão, sem saber o que fazer. Eu fiz a tempestade, estou vivendo ela e vou morrer nela.
Como um anjo pode estar em meus braços? Porque quanto mais perto dela, mais quero estar? Eu poderia abandonar minha vida, tudo o que tenho, tudo o que teria, apenas por um sorriso, pelo sorriso mais bonito que já vi.
Ela está acordando, seus olhos são bondosos. Adoro esses olhos de amante, olhos submissos que me submetem a seus desejos. Meus desejos.
Ela enxuga minhas lágrimas, acalma meu soluço, compassa minha respiração e me abraça. em seus braços posso morrer.
Estamos juntos, parados, como um. Eu já não sou mais eu, sou parte dela. Preciso do resto de minha alma.
Me sinto fraco, sem forças pra me levantar. Meu horário já foi, mais um dia perdido. Mais um dia apenas pensando nela. Outro dia esperando o telefone tocar, esperando seu chamado. Daqui algumas horas a angustia volta, outra garrafa de vodka.
Estou me acabando, é isso que vejo. Quando fecho meus olhos só vejo seus olhos azuis.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Sombras à meia noite

Ainda um pouco desnorteado, pois acabara de acordar, mal consegue olhar o que está escrito no letreiro em néon ali perto. Seu braço ainda sangra, talvez uma costela quebrada e nenhuma lembrança sólida.
Sem carteira, sem dinheiro, sem documentos, sem fome e quase sem sentidos.
As imagens voltam aos poucos, misturados com um pesadelo. Esta pessoa, esta pessoas, estas pessoa ou estas pessoas?
Cabelo era loiro, estava no bar. E quem é a morena? De onde vieram aqueles olhos demoníacos?!
Cai ao chão. Lágrimas caem. Lágrimas ou sangue? Já não sente mais nenhuma dor em seu corpo, apenas a do seu espírito dilacerado.
Sua visão embaça, volta, embassa e finalmente roda.
Em sua volta apenas algum lixo, foi deixado no mais escuro beco.
Aos poucos consegue se recuperar. Procurar um abrigo, algum lugar mais limpo.
Aquele vulto mais uma vez, sim, agora as memórias estão voltando.
De novo uma sensação ruim, um frio correu sua espinha. Sua alma entra em convulsão, todos os músculos se contraem e aqueles lindos olhos o devoram novamente.
Palavras doces, palavras embreagadas, sons lúdicos, voz voluptuosa e os lábios carmim.
Tudo o que era sombras voltou, todas as cenas obscuras da noite, todos os sons perdidos e desta vez não vai ter volta. É o que sente. Se entregar, desistir de sua vida e sentir o final. Sim, ir até onde não tinha conseguido. O extremo sentimento de prazer. A sua última e mais profunda respiração.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Monólogo 1-A

O inicio pode ter sido ontem, mas antes já existia algo. Como dizer que está tudo bem? Vamos procurar um jeito de conciar! Mesmo sabendo que no fim deve ser apenas uma. Assim continuamos tendo que escolher alguém, deixar que o tempo decida? Quem desisti primeiro você quer dizer? O que você acha? Acho que não precisa ser por ordem de quem apareceu primeiro.
Denovo, nada aconteceu e ainda falta uma atitude. Falta executar. Executar o que? Decidir, para poder ter o q executar? Ninguém pode ter suas responsabilidades. Eu também não sou um mártir! A bebida só está piorando. Mas se eu decidir agora vou poder curtir a ressaca em paz. Escolha, oras! Acho que.. hãã... huumm... hmm.... hic...... *tilt*
Dia lindo! Lembra filme romântico! Falando nisso, como anda aquela duvida? Está nas mãos de Deus. E você está rezando por quem? Eu não posso interferir na escolha divina. Então é 0 x 0? Também não... Seja homem pelo menos uma vez na vida! Como se você fosse muito! Eu não quero que você seje como eu. Então você também ficaria assim como eu? Provavelmente, é uma bela sinuca. Então porque você me cobra? Se não cobrar algo acontece? Vai acontecer, pode escrever!
Tudo estava a favor, ainda assim não deu... Era a mensagem divina? Acho que não, deve ser acaso mesmo. Talvez não meu amigo! Bem que eu poderia ter reagido melhor. Não se preocupe! No que você está pensando? Veja seus erros e da próxima vez faça certo. É, se eu tiver outra chance, com certeza! Não desista, o fim ainda não chegou!
Será que um dia o certo vai acontecer? A musica ainda não acabou. Por mais que as estrelas brilhem toda noite, nem sempre podemos apreciá-las. Ainda assim elas voltam, sempre e sempre. Este vento que corre, leva consigo este recado. E o deixará no destino certo, junto com meu perfume. Recado para me encontrar, seguir o perfume. Numa noite como essa, me encontrar. E assim começar, o que já havia começado.
Ter um sonho é bom. Dois pode ser demais para uma pessoa. Sonhos podem ser contados? Talvez, idéias podem ser contadas. Sonhos não são idéias. Também não é material. Mas pode mudar, multiplicar, ramificar, aumentar e acabar. Só acaba quando acontece. Será que eu quero que aconteça? Não é isso que você desejava agora pouco? Mas eu também não quero que acabe. Por isso vai sonhar eternamente? Eu posso? Sim.

sábado, 12 de maio de 2007

All that shines turns to rust. All that stands in time turns to dust.


O que fica ao vento, o que deixamos na chuva, o que nos reveste e o que está protegido, até o que sentimos. Seja físico, teórico, metafísico, adimencional ou sentimental, se desgasta.


Respirar nos desgasta. E muito.


Dizer que determinar o segundo nos tirou a eternidade pode ser engano, a cada ação, mesmo sem você a realizar, você está se desgastando.


Estar fadado à um fim não significa ter carta branca para matar, ou se matar, apenas está demonstrando um limite. Não, não sabemos até quando iremos durar.. sabemos que há um fim.


Redundancia é algo cíclico, leva ao início mas, talvez, no caminho se descubra alguma lógica.

Racionalidade para se conversar com A Morte? A Morte não existe, mas existe um fim racional.




Se estamos nos desgastando, que tal ser de forma que aproveitemos mais?


Dizer que é impossível seria um tanto pessimista, que tal amenizar?

Sim, é possível! (mas momentâniamente).


Cada um que está cursando, ou que já cursou, o ensino médio sabe, ou deveria, que as palavras podem e muitas vezes possuem outros sentidos. Que interpretações errôneas existem. E principalmente, podemos e utilizamos elas.


O porque desse parágrafo? A vida e os sentidos podem ser correlacionados.

Claro que na vida não existe apenas um plano e infinitas curvas determinando letras, frases e textos. As variantes tendem a infinito e as possibilidades são maiores ainda. (Sim, existem infinitos infinitos! Não estou mentindo.).


Sendo assim, fica a cada um que ler este pequeno e confuso texto sobre "tempo" a responsabilidade de rever o que foi feito, o que está sendo feito e o que será feito.