quinta-feira, 24 de maio de 2007

Sombras à meia noite

Ainda um pouco desnorteado, pois acabara de acordar, mal consegue olhar o que está escrito no letreiro em néon ali perto. Seu braço ainda sangra, talvez uma costela quebrada e nenhuma lembrança sólida.
Sem carteira, sem dinheiro, sem documentos, sem fome e quase sem sentidos.
As imagens voltam aos poucos, misturados com um pesadelo. Esta pessoa, esta pessoas, estas pessoa ou estas pessoas?
Cabelo era loiro, estava no bar. E quem é a morena? De onde vieram aqueles olhos demoníacos?!
Cai ao chão. Lágrimas caem. Lágrimas ou sangue? Já não sente mais nenhuma dor em seu corpo, apenas a do seu espírito dilacerado.
Sua visão embaça, volta, embassa e finalmente roda.
Em sua volta apenas algum lixo, foi deixado no mais escuro beco.
Aos poucos consegue se recuperar. Procurar um abrigo, algum lugar mais limpo.
Aquele vulto mais uma vez, sim, agora as memórias estão voltando.
De novo uma sensação ruim, um frio correu sua espinha. Sua alma entra em convulsão, todos os músculos se contraem e aqueles lindos olhos o devoram novamente.
Palavras doces, palavras embreagadas, sons lúdicos, voz voluptuosa e os lábios carmim.
Tudo o que era sombras voltou, todas as cenas obscuras da noite, todos os sons perdidos e desta vez não vai ter volta. É o que sente. Se entregar, desistir de sua vida e sentir o final. Sim, ir até onde não tinha conseguido. O extremo sentimento de prazer. A sua última e mais profunda respiração.

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