terça-feira, 20 de novembro de 2007

Rosa Negra

Provo do orvalho esquecido nesta maldita roseira, seu sabor é tão doce quanto seus lábios e tem a cor de sua alma. Ela se confunde com as pedras, tão silênciosa e obscura, à sombra da lápide em sua memória. Ninguém aceitaria te comparar com esta planta, você é tão delicada, tão alva e tão viva. Mas eu posso ver suas asas negras como as pétalas macias. Tão macias que se pode ver o relusir dourado em seu colo. Este brilho me seduz, me toma toda mente e quando finalmente estou muito perto seu perfume me prende de corpo e alma.
Aquela pequena vontade de te ter outra vez agora já é algo brutal, animal e até irracional. Começo a sentir a queimação no estômago, minhas entranhas se reviram e espremem-se umas contra as outras e finalmente estou caindo. Do chão o céu parece mais perto, uma ilusão perigosa, as nuvens estão rodando e as cores escurecendo,escurecem a ponto de ser impossível distinguir a roseira das pedras. E como as pedras, tudo está mudo. . . . . . . . . .
Sua cor é a única coisa que a distingue do resto, este negro rubro perolizado que brilha até mesmo na mais escura noite. Tudo o que posso fazer é ir até lá, provar outra gota de orvalho e acarinhar este tenro aveludado do mais obscuro carmim. Tome meu tempo, isto é a única coisa que posso dizer agora, minha eternidade está ficando mais longa a cadamomento.
Sim, eu me entrego a esse desejo, essa vontade sem avizo, repentina e provocante. Sou fraco, muito fraco, não consigo mais segurar seu corpo, minhas mãos sangram. Meus olhos choram assim como minhas mãos e só reconheço que é você porque ainda estamos juntos, neste último e mais ardente beijo. Vejo tanto as pétalas negras quanto suas obscuras asas.

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